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Texto e Fotos: Rui Podence

Z LIVE ROCK FEST – DIA 1
Recinto IFEZA (Zamora – Espanha), 11.06.2026

Pela quarta vez, o Caminhos Metálicos marca presença no Z! Live Rock Fest, um dos mais importantes festivais de metal da Península Ibérica, que volta a transformar o recinto da IFEZA, em Zamora, num verdadeiro ponto de encontro para milhares de amantes da música pesada.

Como já vem sendo tradição, a chegada ao recinto ficou marcada pelos habituais procedimentos de acreditação, um pequeno ritual burocrático que antecede sempre o início da maratona musical. Ultrapassada essa etapa, foi finalmente tempo de mergulhar no primeiro dia de concertos.

Quando entrámos no recinto, os Headon já estavam em palco. A banda oriunda de Múrcia apresentou um heavy/power metal de forte inspiração clássica, assente em riffs diretos, energia e melodias eficazes. A atuação serviu como uma excelente abertura para o festival e terminou em grande com uma versão de “Fiesta Pagana”, dos Mägo de Oz, recebida com entusiasmo pelo público presente.

Seguiram-se os Noah Histeria, provenientes de Valência, que trouxeram ao Z! Live uma proposta bastante distinta. O grupo explora uma sonoridade onde o metal progressivo se cruza com o post-rock e o djent, criando paisagens sonoras atmosféricas e emocionalmente intensas. As influências de bandas como Leprous ou VOLA são percetíveis, mas os espanhóis demonstraram personalidade própria, sustentada por uma execução tecnicamente irrepreensível e uma interpretação vocal convincente em castelhano. Apesar da qualidade da atuação, faltou talvez aquele momento verdadeiramente marcante capaz de conquistar em definitivo quem ainda não conhecia a banda.

Os Serious Black foram os senhores que se seguiram. O supergrupo internacional, com ligações a nomes como Helloween e Blind Guardian, apresentou-se numa situação particularmente delicada. O baixista Mario Lochert sofreu um AVC na semana anterior ao festival, uma notícia que abalou a banda e os seus seguidores. Ainda assim, os músicos demonstraram enorme profissionalismo e capacidade de superação, entregando um concerto cheio de energia e emoção. Um dos momentos mais inesperados surgiu com a interpretação de “The Story”, de Brandi Carlile, uma escolha surpreendente que acrescentou uma dimensão mais intimista ao espetáculo e acabou por resultar na perfeição. Esta banda estará em Portugal a 22 de agosto no Milagre Metaleiro Open Air.

Uma das agradáveis surpresas do dia veio da Bélgica. Os Evil Invaders confirmaram toda a reputação que os precede através de uma descarga explosiva de heavy, speed e thrash metal, fortemente influenciada pelos grandes clássicos da década de 80. Entre riffs velozes, solos inspirados e uma presença de palco contagiante, o grupo conseguiu ainda encontrar espaço para melodias e harmonias que remetem para o melhor da New Wave of British Heavy Metal. Foi uma atuação capaz de conquistar muitos dos que chegaram sem grandes expectativas.

A intensidade manteve-se elevada com a entrada em palco dos britânicos Bury Tomorrow. A banda trouxe consigo toda a força do seu melodic metalcore, equilibrando agressividade e melodia de forma exemplar. Sem perder tempo, lançaram um pedido de wall of death logo nos primeiros momentos do concerto, demonstrando que não estavam interessados em introduções suaves. Breakdown após breakdown, alternando entre momentos de enorme peso e passagens mais melódicas, os ingleses mostraram porque continuam a ser uma das referências mais sólidas do género.

Ao entardecer, com a luz dourada característica das tardes de Zamora a envolver o recinto, chegou um dos momentos mais aguardados do dia. Os Emperor tomaram conta do palco e ofereceram uma verdadeira demonstração da sua importância histórica para o black metal. A banda norueguesa apresentou uma atuação de enorme rigor, onde a violência sonora coexistiu com a grandiosidade melódica que sempre caracterizou a sua música. Entre passagens épicas, atmosferas sombrias e uma execução irrepreensível, o concerto revelou-se um dos pontos altos da jornada. Durante largos minutos, pareceu perfeitamente natural que o symphonic black metal ecoasse sob aquele céu avermelhado do final da tarde.

Já de noite, chegou a vez dos Opeth. Tratava-se do primeiro espetáculo da banda sueca em cerca de três meses, algo que se fazia sentir na expectativa do público. Liderados pelo carismático Mikael Åkerfeldt, os suecos voltaram a demonstrar porque ocupam um lugar único na história do metal moderno. Entre histórias, comentários bem-humorados e momentos de interação com a audiência, Åkerfeldt foi conduzindo a atuação até que a música assumiu o protagonismo absoluto. As mudanças bruscas de dinâmica, as delicadas passagens acústicas e as explosões de peso características da banda criaram uma viagem sonora hipnotizante. Foi um concerto repleto de nuances, emoção e complexidade, daqueles que prendem o público do primeiro ao último minuto. Quando terminou, ficou a sensação de que ninguém queria abandonar aquele momento.

á após a atuação dos Opeth, ainda houve espaço para mais música. Os espanhóis Delalma trouxeram o seu power metal melódico, enquanto os austríacos Dragony encerraram a noite com a sua proposta de symphonic power metal, garantindo que a energia se manteve elevada até aos últimos acordes do dia.

O primeiro dia do Z! Live Rock Fest terminou exatamente como deve terminar um grande festival: com os ouvidos a zumbir, as pernas cansadas e a certeza de que ainda havia muito metal pela frente. Afinal, este foi apenas o começo de mais uma edição memorável em Zamora.