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Texto e Fotos: Ricardo Oliveira

Numa noite em que a meteorologia não augurava nada de bom, em que as nuvens ameaçavam estragar o habitual e salutar convívio do público às portas do RCA sempre que há um intervalo das bandas, acabámos por ter antes uma noite que foi, a todos os níveis, fantástica.

Os concertos começaram com cerca de 20 minutos de atraso, e por vezes alguns “change over” foram um pouco demorados. No entanto, não esmoreceu o bom ambiente existente. A abrir as hostilidades tivemos os Moon Presence. Banda bastante jovem, onde eram notórias algumas fragilidades de quem ainda tem muitos palcos para pisar. No entanto, a energia transmitida principalmente pelo vocalista e pelo baterista, foram suficientes para aquecer um público que, a espaços, lá ia chegando ao RCA

Logo a seguir tivemos os Fonte. Este coletivo tem tido um crescimento galopante no nosso panorama musical. Muito em parte, na minha opinião, devido aos excelentes concertos que dão. A energia e presença em palco de todos, mas com destaque para o super experiente Paulo Gonçalves, faz com que o concerto tenha uma grande dinâmica entre as músicas

Exactamente a meio do cartaz seguiram os The Year. O cartaz era diversificado, tal como eu gosto, e os The Year eram a prova disso mesmo. Com um emo metalcore típico e com refrões “orelhudos”, foi na segunda metade do concerto que conseguiram finalmente aquecer um público que parecia estranhar ao início, arrefecidos por um “change over” algo demorado, mas que acabou por se render à energia que vinha do palco. Boa banda.

De seguida, e ao contrário do que estava inicialmente previsto no cartaz, subiram a palco os Benighted. O que se seguiu meus amigos, foi nada mais nada menos do que uma hora de pura brutalidade e destruição! Com destaque inevitável para o monstro na bateria, Kevin Paradis, que leva às costas o quinteto gaulês com uma mestria e precisão que chega a ser absurda! O publico correspondeu da melhor forma e foram vários os presentes na sala a fazer stage diving e crowd surfing. Bonito de se ver.

Já a hora ia avançada quando os anfitriões da noite Downfall of Mankind lançaram a sua intro. Antevendo o que vinha daí (uma interação constante durante todo o gig) Lucas Bishop começou a “meter-se” com o publico ainda do backstage. Seguir a evolução desta banda tem sido muito interessante, e até impressionante. Os concertos estão cada vez mais coesos, mais intensos, mais interactivos. O resultado? Uma hora e pouco de muito mosh e headbanging, com o enorme e natural destaque para o single “Purgatory”, lançado poucos dias antes. Já agora, para quem não ouviu, é favor de ir ouvir. O refrão “orelhudo” que vos vai ressoar na cabeça por dias, esteve a cargo do Sérgio Páscoa, o trovador de serviço!

Terminada que estava a noite, fui para casa a pensar que noites destas, muito mais noites destas, são precisas e desejadas. Haja público, e acontece.