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Texto & Fotos: António Mota
Edição Vídeo: Carlos Guimarães
Captação Vídeo: António Mota e Mónica Sousa

O Itenerance Fest 2025 decorreu de 16 a 18 de janeiro no Porto, consolidando-se como um evento de referência na promoção da música independente e com uma oferta bastante eclética ao nível de bandas nacionais. O festival itinerante dinamizou atividades e concertos em alguns espaços emblemáticos da Rua da Madeira, incluindo o Barracuda, o Ferro Bar, o Era uma Vez no Porto e a Oficina Cobalto, proporcionando uma experiência diversificada aos amantes da música ao vivo, em especial, aos aficionados de sons mais independentes e alternativos.

Com um cartaz recheado de excelentes nomes, onde pudemos ouvir desde o stoner, ao prog, passando pelo post ou o punk, destacamos alguns nomes que têm ganho algum destaque na cena nacional nos últimos anos, como é o caso de Pledge, Redemptus ou os Awaiting The Vultures e ainda bandas bastante promissoras na cena nacional, como Phase Transition, Palegazer, Hazing Lungs ou os Orum, só para citar algumas.

De destacar a pontualidade geral no início das atuações, em atividades e concertos que ocorreram desde as 18h00 e se prolongaram com DJ sets até perto das 6h00, oferecendo cerca de 12 horas diárias de música ao vivo. O valor do passe de 3 dias ficou mais do que justificado, não só pela quantidade, garantindo acesso a todos os recintos associados ao festival, mas, essencialmente, pela qualidade dos espetáculos que vimos.

Das atuações que vimos e registamos, destacamos uns Redemptus na sua melhor forma de sempre, num concerto com casa cheia no Ferro Bar. A banda de Paulo Rui continua a destilar uma energia contagiante, à qual ninguém ficou indiferente do princípio ao fim. Da sua atuação, registamos o tema “In a Deep Hole”.

Gostaria de salientar igualmente, para mim, um dos momentos mais altos do festival, a atuação dos Awaiting The Vultures, no Ferro Bar. Eles encontram-se a divulgar “Circles”, o seu último trabalho de estúdio, do qual captamos um excerto do tema “Ad Astra”. Prog a piscar o olho ao post e uma paisagem sonora absorvente e contagiante, fizeram as delícias dos presentes, que teimaram em não arredar pé até à última nota. Um concerto absolutamente contagiante e que não deixou ninguém indiferente.

Prestes a lançar o seu primeiro longa duração estão os proggers Phase Transition, uma banda que acompanho desde os seus primórdios e que são, na minha opinião, um dos maiores valores em ascensão do Prog Nacional. A sua atuação alternou entre os temas do EP de estreia “Singularity” e a apresentação de alguns temas novos que farão parte do álbum “In Search Of Being”, trabalho verá a luz do dia em junho deste ano.

Como sempre, a banda, agora em formato trio, deixou tudo em palco e deixou também os presentes boquiabertos com uma descarga de prog técnico e, simultaneamente, melódico e com momentos “catchy”, com refrões orelhudos e que permitiram aqui e ali a participação do público que praticamente encheu o Ferro Bar.

Para finalizar, gostaria de chamar a atenção para os Hazing Lungs, que atuaram no Barracuda e que foram uma das boas surpresas deste festival. Acompanhem de perto este quarteto de Aveiro, pois vale bem a pena.

O Itenerance Fest 2025 destacou-se não só pela qualidade musical, mas também pela sua capacidade de dinamizar a cena cultural independente do Porto, reforçando a cidade como um polo vibrante para a música alternativa.

Parabéns à organização, pela capacidade de promover mais um festival e pela simpatia e competência demonstradas. Sentimo-nos realmente bem neste festival. Nota-se que fazem o Itenerance com paixão e grande respeito por todos os intervenientes. Ficamos a aguardar pela edição de 2026.