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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva e Nuno Reis.

Milagre Metaleiro Open Air – Dia 2
Alestorm + Nervosa + Vision Divine + Tarantula + ANZV + Blazon Stone + Godark + Bronze + Aphonnic + Praetor
Pindelo dos Milagres, 22.08.2025

Depois de um primeiro dia intenso, as hostilidades do segundo dia começaram às 17h00 com a estreia do palco principal a caber aos luxemburgueses/franceses Praetor.

Com várias datas já concretizadas no nosso país em 2025, debitaram-nos o seu thrash metal com competência e com um setlist idêntico ao que já nos tinham apresentado anteriormente, baseado no seu “Spiral of Addiction” de 2025 e com uma incursão ao “Master of Puppets” dos Metallica. Uma abertura de segundo dia que serviu para começar a aquecer os motores para o que aí vinha.

O palco 2 abriu com os Bronze. A banda liderada por Mina Walkure apresentou-nos um heavy metal mais clássico. Com a sua frontwoman a dar tudo em cima de palco, conseguiram uma performance muito positiva. O seu setlist foi quase integralmente composto por temas do seu álbum de 2024 “In Chains and Shadows”, mas tocaram também duas faixas do tempo em que a banda tinha a designação de KRAMP,  “Leather Warrior” e “Speed of Light” que fechou o set.

Visivelmente satisfeitos pela presença e prestação no MMOA obter uma boa reação e conquistar mais alguns fãs.

A primeira presença nacional do dia dois coube aos Godark. Com um novo álbum pronto prestes a conhecer a luz do dia, foi-nos possível ouvir algumas das novas malhas, como ”Frozen in Time”, “Leaving Out” e “This is the End”, tema apropriado para fechar o concerto.

Uma receção calorosa por parte do público aos Godark que são um nome firme e consagrado do nosso underground e que mais uma vez o confirmaram no palco do MMOA. Aguarda-se com expectativa o novo álbum que pela amostra apresentada será digno de destaque.

De volta ao palco secundário e com a mensagem Free Palestine no backdrop tivemos os galegos Aphonnic. Desconhecida para grande parte do público (eu incluído), a banda tem já diversos álbuns editados e já uma longa história, o que ficou bem patente na experiência revelada por toda a banda em palco.

Com um som que vai buscar várias influências desde o nu metal ao metal mais alternativo, conseguiram captar a atenção dos presentes, numa atuação que classifico de bastante positiva.

Os suecos Blazon Stone seriam os próximos a subir ao palco principal. Com Cederick Forsberg na guitarra que já tínhamos visto a atuar com Bronze, tiveram uma atuação muito consistente e apreciada. Fazendo lembrar a sonoridade dos icónicos Running Wild, mantiveram sempre uma interação constante com a plateia que respondeu em grande estilo. 

“Raiders of Jolly Roger” e “Bohemian Renegade” do seu álbum mais recente “Damnation” abriram o set, passando depois por várias incursões em álbuns mais antigos como “Return to Port Royal” e “War of the Roses”. Uma boa apresentação dos Blazon Stone no MMOA.

A instituição do heavy metal de seu nome Tarantula, regressava este ano ao MMOA. Com um público fiel e sempre presente, elevaram a temperatura com êxitos intemporais como ”The Voice Inside” que abriu o concerto, “You Can Allways Touch the Sky”, “End of the Rainbow”, “Dream Maker” e “Face the Mirror” que terminou a atuação. Mesmo com alguns problemas técnicos com o baixo do Zé Aguiar numa das faixas, a banda com mestria deu-nos mais uma prova de toda a sua qualidade.

A celebrar 15 anos de existência as Nervosa da brasileira Prika Amaral eram aguardadas com grande entusiasmo. Definitivamente com Prika nas vozes e com um line up bastante consistente, a banda está numa das suas melhores fases e os concertos ao vivo são a prova disso mesmo. Uma atuação demolidora que fez levantar muita poeira e muito crowd surfing.

Faixas como “Kill the Silence”, Perpetual Chaos”, “Guided by Evil” e “Endless Ambition” que fechou a atuação, levaram o MMOA ao rubro numa das melhores atuações do dia. Mesmo sendo em contexto de festival, Prika fez questão de mencionar que era um gosto enorme para as Nervosa passar por Portugal e comemorar junto dos fãs portugueses os 15 anos da banda.

No palco dois regressamos às bandas italianas, agora com os Vision Divine. Banda formada nos anos 90 por Olaf Thorsen e que chegou a contar com a colaboração de Fabio Lione, viu regressar em 2025 o talentoso vocalista Michele Luppi que encantou por completo o MMOA.

Com um álbum novo lançado em 2024 “Blood and Angels’ Tears”, percorreram além deste outros álbuns da sua longa carreira. Os Vision Divine deram um recital de power metal progressivo, onde o virtuosismo dos executantes e a já referida prestação vocal de Luppi, deixaram uma marca registada no festival.

E era chegada a hora de todo o MMOA se concentrar junto ao palco principal e assistir à festa dos headliners Alestorm. Embora sendo presença regular no nosso país, cada concerto do Alestorm é único e inesquecível. Durante mais de uma hora somos transportados para uma vibe de festa contagiante, onde todos os problemas são esquecidos e dançar, saltar, fazer headbang, ir para o mosh pit ou fazer crowdsurfing se torna a prioridade e a única coisa que importa no momento.

O setlis foi um desfilar de músicas cantadas em uníssono pelo público sendo difícil destacar alguns momentos, mas “Mexico”, “Alestorm”, “P.A.R.T.Y.”, “Drink”, claro “Fucked With na Anchor” ficaram de certeza na memória de todos.

Alestorm é isto mesmo, festa, libertação e viver ao máximo o momento. Destaque para a simpatia do vocalista Christopher Bowes que findo o concerto desceu até junto do público, passando aí uns largos minutos a dar autógrafos e a tirar fotografias. Mais um concerto para a história do MMOA.

O fecho da noite esteve a cargo dos nacionais Anzv. Eles são um dos projetos nacionais mais importantes da atualidade e os seus concertos são verdadeiros rituais sonoros e visuais.
E assim foi mais uma vez, a banda não deixa nada ao acaso e cada pormenor da atuação é meticulosamente preparado, proporcionando uma atmosfera densa e atmosférica de bom black metal.

Com um álbum recentemente lançado de nome “Kur” e que tem como inspiração a antiga mitologia suméria, foi um prazer assistir pela primeira vez ao vivo à execução das faixas deste novo trabalho, que elevou ainda mais a fasquia tanto em composição como performance ao vivo dos Anzv. Um final de dia dois em grande estilo.