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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva, Nuno Reis e Rafael Correia.

Milagre Metaleiro Open Air – Dia 3
Dirkschneider + Rotting Christ + Tyr + Necrophobic + Mors Principium Est + Xeque-Mate + Godiva + Moonshade + Jolly  Joker + Daeria
Pindelo dos Milagres, 23.08.2025

E era chegado o dia de sábado, dia 3 do MMOA com um cartaz apetecível e que iria deixar muita gente feliz.

As honras de abertura estiveram a cargo dos catalães Daeria no palco principal. Mais uma boa dose de power metal foi-nos servida por uma banda que conjuga riffs rápidos e refrões melódicos que cativam rapidamente o público. A boa disposição da banda em cima de palco foi permanente, tendo inclusive o vocalista usado uma pistola de água para refrescar a audiência. A parte inicial do set foi dedicado a três faixas do último álbum “Morfeo” datado de 2023, tendo depois passado por faixas dos álbuns “Alter” de 2020 e “Fénix” de 2018 e finalizando com o primeiro single da banda “Reina de Corazones” de 2018. Uma boa atuação e presença desta banda espanhola.

A tarde continuou no palco 2 e em espanhol com os valencianos Jolly Joker. Eles foram um dos representantes do glam rock no MMOA deste ano, com uma performance e imagem a fazerem-nos recuar aos anos 80 e 90. Era evidente a presença de amigos e fãs da banda no público o que ajudou a banda a manter bom nível de interação durante toda a atuação. Não sendo provavelmente o estilo preferido da maioria dos presentes, os Jolly Joker tiveram o mérito de o representar de maneira positiva.

O palco principal recebeu de seguida os nacionais Moonshade. Nome já bem conhecido e firmado no nosso underground, quem lá estava usufruiu do que melhor se faz de melodic death metal em Portugal. Coisa rara nos concertos de Moonshade foi ver-se abrirem mosh pits intensas, prova inequívoca de que o publico estava a gostar.

Com um EP novo na calha, o setlist foi, no entanto totalmente dedicado aos trabalhos anteriores da banda, “As We Set The Skies Ablaze” e “Sun Dethroned”, com uma dedicatória especial pelo meio a Brent Hinds que nos deixou há pouco tempo, com uma cover do tema “Blood and Thunder” dos Mastodon. Moonshade, a primeira descarga bruta de energia deste sábado.

E era chegada a hora de rumar ao palco 2 para ver mais uma instituição do heavy metal nacional, os lendários Xeque-Mate. Com mais de 40 anos de carreira, continuam a mostrar veia criativa e exemplo disso é o recém-lançado “Entrudo”. A paixão pela música reflete-se na sua atitude em palco e em cada atuação da banda, por isso mesmo têm sempre a sua legião de fãs novos e menos novos presentes, que fizeram desta aparição no MMOA mais uma celebração.

Como seria de esperar o set apresentou faixas do novo álbum, “Entrudo”, “Pequenez” e “Corre Corre” foram as escolhidas, mas os êxitos intemporais como “Escrava da Noite”, “Ás do Volante” e “Filhos do Metal” não podiam faltar. Xeque Mate um exemplo de persistência e amor ao heavy metal.

De volta ao palco principal, uma das bandas portuguesas mais aguardadas eram os Godiva.
Com uma carreira internacional em ascensão e diversas tours por essa Europa fora, a banda apresentou-se em grande forma, com destaque para a estreia em solo português da nova baterista Gemma Sofia Salvatori. Combinando o seu death metal melódico com uma postura teatral em palco, os Godiva hipnotizaram o público com uma performance competente e explosiva.

O set apresentado inclui faixas do ultimo álbum “Hubris” de 2013 como “Dawn”, “Media God” e a excelente “The Meaning of Life”, bem como faixas mais antigas “Hollow Within” e “Oblivion” que fechou o concerto.

Vindos da Finlândia, demos as boas vindas no palco 2 aos Mors Principum Est. Sendo fã da banda e nunca os tendo visto ao vivo, esta era uma oportunidade única. E claro que não desiludiram, mesmo havendo algumas queixas relativas à qualidade do som, brindaram-nos com uma atuação plena de energia, qualidade e profissionalismo. Com uma carreira longa e diversos álbuns editados, percorreram no set diversos deles com destaque para o “Embers of a Dying World” de 2017. Numa tarde com muito death metal melódico, os Mors Principum Est fizeram jus ao seu nome e foram a cereja no topo do bolo.

Todos a convergir novamente para o palco principal para receber a lenda Udo Dirkschneider. O ex-vocalista dos Accept trouxe ao MMOA um set muito especial de comemoração dos 40 anos do álbum “Balls To The Wall” que foi tocado na integra. Músicas como “Balls To The Wall”, Fight it Back”, “Love Child” ou “Guardian of The Night” fizeram os mais veteranos destas andanças recuar no tempo e a nostalgia tomou conta do recinto. O encore foi mais um momento inolvidável, com “Princess of The Dawn”, “Up to The Limit”, “Fast as a Shark” e “Burning”.

Para além da voz inconfundível de Dirkschneider que continua imaculada, grande destaque para a qualidade da banda que o acompanha, todos executantes de excelência. Um momento histórico na história do MMOA.

A passagem para o Palco 2 fez-se de imediato, onde nos esperava uma mudança radical de sonoridades com os suecos Necrophobic. Os veteranos do blackened death metal deram um concerto verdadeiramente arrasador. A ânsia por algo mais extremo era sentida no público e a reação ao que vinha de palco foi verdadeiramente impressionante, surpreendendo até a própria banda que certamente não esperaria uma resposta tão positiva do publico.

Numa atuação intensa de principio a fim, as faixas “Revelation 666” e “Devil´s Spawn Attack” lançaram o verdadeiro caos no recinto. Necrophobic, um nome marcante nesta edição do MMOA

O palco principal foi de seguida local de um momento muito especial, com uma sentida homenagem ao Daniel César dos Gwydion que precocemente nos deixou. Após algumas palavras de saudade, foi exibido um vídeo de homenagem ao Daniel com vários momentos no palco e fora dele. Algumas lágrimas foram vertidas e ninguém ficou indiferente. R.I.P. Daniel, serás sempre um dos nossos.

Muito aguardada era a presença dos Týr vindos das Ilhas Faroé. Com um som muito característico que vai buscar influências ao folk/viking metal, ao power metal e o conjugam com sons tradicionais, os Týr são uma das bandas consagradas nesta vertente do metal.

Infelizmente desde cedo se percebeu que o som que vinha do palco era muito deficiente, obrigando a banda a parar a atuação por mais que uma vez. Com sinais permanentes vindos do público de que não ouviam a voz de Heri Joensen, o incómodo era bem evidente na cara dos músicos, mas que mesmo assim mantiveram uma atitude muito profissional, dando o seu melhor até final do concerto.
O set percorreu os diversos álbuns da banda, abriu com “By The Sword in My Hand” do álbum “By The Light of The Northern Star” de 2009, passou por outras faixas antigas como “Valkyrja”, “Sinklars Visa” e “Blood of Heroes” e fechou com “Hold The Heathen Hammer High”. Uma atuação que deixou um sabor amargo esta dos Týr.

Para o final do dia 3 do MMOA estavam reservados os muito adorados gregos Rotting Christ. Liderados pelo carismático e simpático Sakis Tolis, o palco 2 foi pequeno para a grandeza do que assistimos. Um concerto verdadeiramente assombroso que na minha opinião foi o melhor desta edição do MMOA.

A qualidade da banda e a atmosfera criada foram inigualáveis num êxtase coletivo que durou cerca de 1 hora e 15 minutos. Com um set que deixou todos satisfeitos, “Societas Satanas”, “Grandis Spiritus Diavolos” e “The Raven” são apenas alguns exemplos de loucura e comunhão entre banda e publico. Rotting Christ, simplesmente apoteótico.