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Texto: LordSir SetePeles.
Edição vídeo: Carlos Guimarães
Captação vídeo: LordSir SetePeles e Rui Alves.

Nada na Alma do Alentejo Fest
Pavilhão dos Sabores – Beja, 22.06.2025

O derradeiro dia arrancou com energia, a abrir as hostilidades estiveram os Equaleft, máquina bem oleada de groove metal vinda do Porto. Como sempre, entregaram intensidade, peso e atitude, com Miguel Inglês a comandar as tropas com uma presença avassaladora. O frontman mostrou mais uma vez porque é uma figura muito respeitada no underground nacional, descarga de força bruta com alma, na alma do Alentejo.

Logo de seguida, subiram ao palco os Dolmen Gate, projeto de epic metal tradicional com voz feminina, carregado de ambiência clássica e espírito guerreiro. Com Nuno Ravensire ao leme, a banda mostrou que ainda há espaço para este tipo de sonoridade no nosso panorama. A vocalista Ana mostrou grande potencial com uma voz bela e distinta, ainda que por vezes se notasse alguma falta de à-vontade em palco. É uma questão de tempo, maturação e quilómetros. O talento está lá. Um concerto que, sem deslumbrar, não dececionou.

Vindos da Grécia, os Suicidal Angels trouxeram a sua receita de thrash metal moderno com espírito old school. Apresentaram uma atuação sólida e energética, ainda que sem aquele impacto memorável. Cumpriram a missão, fizeram o público mexer, por vezes, isso basta.

Era o regresso dos lendários Pentagram que muitos aguardavam com mais ansiedade. Ícones do doom old-school norte-americano, vivem um renascimento à boleia de um vídeo viral e da figura excêntrica de Bobby Liebling, um verdadeiro sobrevivente. O concerto, no entanto, começou assombrado por problemas técnicos. E não só técnicos…

O baterista “quem caralho era aquele gajo?” parecia mais interessado em sabotar o concerto do que em fazê-lo acontecer. Visivelmente alterado (ou simplesmente em negação do que ali se passava), tocava como quem está a resolver traumas pessoais à base de pancada. Derrubou parte da bateria, parecia querer arrastar a banda consigo para o fundo, incompreensível!

Felizmente, Liebling e o guitarrista mantiveram a calma e levaram o concerto avante, malhões clássicos, riffs mastodônticos e aquele doom carregado de alma, que só os verdadeiros mestres sabem entregar. Apesar de tudo, foi um momento de peso e história, com o público a retribuir.

A noite seguiu com a estreia em festival  dos Danger Machine, com um concerto de heavy/speed metal com estética satânica e horrorífica, recheado de convidados de peso. Um momento de união geracional que prova que ainda “existe esperança”. O underground é isto: os que já cá andam a puxar pelos que estão a começar. E quando isso acontece, todos ganham.

Para os masoquistas que ainda tinham energia pela madrugada dentro, os Revolution Within foram a última descarga, com o seu thrash/groove metal musculado, sovaram os corpos já moídos dos resistentes com uma atuação selvática, poderosa e furiosa.

O NADA Fest é uma celebração da diferença, da persistência e da cultura que resiste às margens, uma vez mais, Beja foi o epicentro dessa celebração, até apara o ano!