Banner Top

Reportagem: Rui Teixeira (dias 0 e 1) e Carlos Guimarães (dias 2 e 3).
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães (dias 2 e 3), Rui Teixeira (dias 0 e 1).
Foto por Marta Rebelo (cedida pelo SWR).

SWR Barroselas Metal Fest
Barroselas, 23 a 26.04.2025

Dia 0, 23.04.2025

A edição 25 do SWR Barroselas Metalfest começou no dia 23 de Abril com o chamado dia zero dedicado à grande final da Wacken Metal Battle.

Depois das eliminatórias, tivemos três bandas a concurso à procura do sonho de atuar no palco do mítico Wacken Open Air, os Music In Low Frequencies, os Namek e os Humanart.

Mesmo sendo uma quarta feira à noite a Arena Stage registou uma grande enchente, recebendo às 22h00 em ponto os Music In Low Frequencies que nos hipnotizaram com a sua sonoridade que alia o doom, sludge e black metal. Mais uma atuação irrepreensível e poderosa deste trio, comandado pela incrível voz e presença da Mariana Faísca, onde a atuação é acompanhada de um cenário teatral imponente com uma figura feminina suspensa por cabos. Na minha opinião terão sido talvez um pouco vítimas do formato desta final, já que o tempo dado às bandas é reduzido e para termos uma experiência sensorial completa com estes Music In Low Frequencies um set mais longo é o mais apropriado.

Segunda banda a concurso foram os Namek, vindos da margem sul de Lisboa e que seriam os grandes vencedores da noite.

E foi uma descarga impiedosa de grindcore que este trio nos ofereceu nesta noite, sem grandes paragens desfilaram o seu set que teve uma reação incrível do público com mosh pits violentos e frenéticos ao mesmo ritmo do que se passava em palco. Justamente serão os Namek a levar a bandeira nacional ao Wacken Open Air.

A última banda a concurso foram os veteranos Humanart, representantes do bom black metal que se faz por cá. Terão tido o som menos conseguido da noite o que prejudicou um pouco a sua atuação, aliado ao facto de terem tocado a seguir a uma banda que levou a Arena a níveis elevados de adrenalina, fez com que tenham tido a reação mais morna por parte do público. Uma atuação competente, mas que não foi a suficiente para alcançar a desejada vitória.

Para finalizar a noite zero em festa tivemos os grandes Pitch Black em palco. Difícil descrever a insanidade que se viveu nesta atuação de uma das lendas do nosso thrash metal, onde o que mais me apraz dizer é que foi com certeza uma noite que ficará nas memórias tanto do público como da banda. Simplesmente incríveis, banda e público.

Rui Teixeira

Dia 1, 24.04.2025

O primeiro dia de hostilidades começou bem cedo e a exemplo do que tinha acontecido na noite anterior, eram já muitos os metalheads a marcar presença às 16h45 quando subiram ao palco os indianos Godless. A banda está em tour pela Europa e aproveitou o seu tempo para nos apresentar um death metal clássico e que captou a atenção dos madrugadores das mosh pits.

De seguida tivemos os nacionais Dolmen Gate, banda que tem vindo a crescer no panorama nacional. Com uma sonoridade um pouco à margem dos sons mais extremos que marcam o SWR Metalfest, foram muito bem recebidos pelo público numa muito boa atuação onde demonstraram boa qualidade técnica e somaram mais alguns fãs.

A abertura do Abyss Stage esteve a cargo dos nacionais Phenocryst. Com o seu “Cremation Pyre” marcaram o death metal nacional com uma sonoridade e temáticas muito especificas e foi isso mesmo que trouxeram ao SWR. Conseguiram manter o público com os olhos fixos no palco, esse será o melhor elogio desta atuação dos Phenocryst.

O Arena Stage voltaria a ter momentos intensos de mosh pits com os suecos Razorvoid e o seu thrash/punk, num concerto enérgico e bem conseguido. Voltar ao Abyss seria passar do oitenta para o oito, já que tivemos os Ahab e o seu funeral doom. Mais arrastado e suturno é difícil conseguir e estes Ahab só mesmo para fãs do género.

O Arena Stage teria depois três bandas que estão em tour juntas e que foram três dos melhores ou talvez mesmo os melhores concertos deste palco. Malphas, Kawi e Merrimack ofereceram-nos três grandíssimas atuações de black metal e que deixaram definitivamente uma marca forte neste SWR 25.

Intercaladas com estas doses brutais de death metal, tivemos duas atuações muito aguardadas no Abyss Stage, os veteranos Gehennah (Suécia) e Repulsion (USA), ambos em estreia absoluta no nosso país. E foram os dois momentos altos do Abyss Stage que levaram ao rubro o público, com a atuação dos históricos mestres do grindcore Repulsion a atingir níveis avassaladores de stage diving e mosh pits.

O momento mais sui generis da noite foi a atuação dos Steelharmonics – Banda Nova de Barroselas, uma orquestra que interpretou grandes êxitos do rock/heavy metal, com o momento alto a ser a interpretação de “Alma Matter” dos Moonspell, cantada em uníssono pela plateia. Um grande momento.

Já tarde da madrugada os Golpe fecharam o Day 1 com uma boa dose de punk rock que fez esgotar as energias que ainda restavam nos steel warriors presentes.

Rui Teixeira

Dia 2, 25.04.2025

O 25 de abril do SWR começou ao som do doom metal dos Idle Hand e do dbeat punk dos Dokuga, duas bandas portuenses que abriram o dia no Arena Stage.

Seguiram-se os franceses Profanation, com uma mistura entre death e grindcore, com músicos ex-Goatspell e o EP “Skull Crushing Violence” para apresentar. O stoner/doom regressou ao alinhamento com o trio norte-americano Black Pyramid mas as atenções já estavam centradas no Abyss Stage para a prestação dos Corpus Christii. Apesar do som estar longe do ideal, o grupo nacional entregou-se de corpo e alma à sua atuação com um alinhamento mais retrospectivo com malhas como “Throne Of The Proud”, “The Burning“, “The Fire God”, “My Eyes, Empty”, ou “Black Gleam Eye”.

O grindcore dos Nashgul foi intenso e competente, com a experiência de quase vinte e cinco anos de carreira a notar-se em palco. No Abyss Stage atuariam de seguida um dos nomes mais credenciados desta edição, os Aura Noir, dignos representantes do black/thrash norueguês. Abrindo com “Black Thrash Attack”, pudemos ainda escutar temas como “Sulphur Void”, “The Obscuration”, “Shadows of Death”, “Hell’s Fire” e, para terminar “Unleash the Demon” e “Condor”. Sinceramente mais animado foi o concerto dos Italianos Vulvectomy que trouxeram um Slam/Brutal Death Metal como mandam os manuais do género.

Também da Noruega, chegaram os Dodheimsgard que abriram logo com “Å slakte Gud” do seu primeiro álbum, antes de enveredarem pela sua sonoridade mais avantgarde dos últimos trabalhos como os temas “It Does Not Follow”, “It Does Not Follow”, “Det tomme kalde mørke” ou “Abyss Perihelion Transit”. Os fãs devem ter adorado mas, pessoalmente, esteve longe de ser um dos melhores momentos do festival. O mesmo já não posso dizer do concerto dos germânicos (com um guitarrista basco) Sijjin os quais deram um daqueles concertos memoráveis, com um death/ thrash metal de se tirar o chapéu. Com apenas dois álbuns, este trio promete chegar muito longe. Destaque para os temas “Dagger of a Thousand Deaths”, “Dakhma Curse” e “Condemned by Primal Contact”.

De volta ao palco principal, tivemos um dos nomes maiores do goregrind europeu, os alemães GUT. Com o vocalista Spermsoaked Consumer of Pussy Barbecue com uma máscara à wrestler mexicano a comandar as operações, ouvimos um desfilar de temas onde não faltaram “Fisted on the Dancefloor”, “Throatjob”, “Make ’em Cum Slowly”, “Anus Anubis”, “G.U.T. Forever” ou “Anal Sushi”. Pelo meio ainda a cover “Consequence” e a brutal “Cripple Bitch”, num concerto muito intenso em frente do palco. Uma das melhores surpresas do festival estava reservado para o final da noite, com os belgas Bütcher a não deixarem o público indiferente ao seu speed metal cheio de esteroides, daqueles que tornam tudo mais rápido e agressivo. Foi sem dúvida uma excelente forma de encerrar este dia do SWR.

Carlos Guimarães

Dia 3, 26.04.2025

O último dia do SWR começou com os catalães Jade e um death metal atmosférico que serviu para ir acordando os que ainda recuperavam dos 3 dias anteriores. Os nacionais Utopium já não deram essa oportunidade com um grindcore assertivo, com destaque para a secção rítmica a cargo dos bem conhecidos João Duarte no baixo e Jordi Lopes na bateria. No Abyss Stage atuariam os Sacred Sin, um dos nomes históricos do metal nacional que, apesar de um início prejudicado com alguma indefinição sonora, conseguiram arrancar para um concerto em consonância com os seus pergaminhos. Destaque para a prestação de Tó Pica, sem dúvida um dos guitarristas que mais gosto dá ver e ouvir em cima do palco.

No Arena Stage, os espanhóis Totengott não conseguiram sinceramente surpreender enquanto no palco principal os norte-americanos Black Curse conseguiram conquistar alguns novos fãs com o seu death/black metal. Já os suecos Industrial Puke cativaram principalmente os fãs de bandas como Dismember ou Disrupt.

Dos Ved Buens Ende não sabíamos sinceramente o que esperar ver ao vivo. Tocando apenas temas do seu único álbum “Written in Waters”, editado em 1995, e da sua demo “Those Who Caress the Pale” do ano anterior, percebemos que a sua música continua tão à frente agora como há 30 anos atrás. Abrindo com “Coiled in Wings” e “I sang for the Swans”, ouvimos ainda “It’s Magic” e “Autumn Leaves”, antes de encerrarem com “Plunderer”. No meio de tanta descarga de adrenalina ao longo do dia, foi sem dúvida um momento refrescante o concerto destes, mais uns, noruegueses.

Com um espírito completamente diferente viveu-se o concerto dos Avulsed que fizeram questão de frisar que foram a primeira banda cabeça de cartaz do SWR em 1998. Dessa formação só resta como sabem o vocalista Dave Rotten que foi um verdadeiro animal em palco, beneficiando também do forte contingente espanhol que esteve no festival. “Stabwound Orgasm” e a sugestiva “Breaking Hymens” deram o mote para um concerto de death metal brutal que deixou todos rendidos. Grande destaque para o talentoso guitarrista venezuelano Alexandro Lobo e para músicas como “Blessed by Gore”, “Lacerate to Dominate” e “Sick Sick Sex”. Sem dúvida um dos pontos altos do festival.

A qualidade manteve-se bem alta no Abyss Stage com os Hellripper, projeto criado pelo escocês James McBain em 2014 e que deixou rendidos quem nunca os tinha visto ao vivo. Uma verdadeira máquina bem oleada de speed/thrash/black metal com um concerto sem qualquer momento morto onde não faltaram os temas “Blood Orgy of the She-Devils”, “Hell’s Rock ‘n’ Roll”, “From Hell”, “Nunfucking Armageddon 666” ou “Headless Angels”. Ponto alto foi sem dúvida o crowdsurfing de James a tocar guitarra. Só visto!

Primeiro estranha-se, mas ao fim de uns minutos já estamos completamente absorvidos pelo death metal dos finlandeses Concrete Winds, um trio que se revelou outra das grandes surpresas, graças ao seu intrincado som com solos realmente diabólicos.

Os Unleashed são um dos nomes maiores do death metal europeu, criados no final da década de oitenta do século passado e distinguindo-se por incorporar a mitologia nórdica nas suas letras. Se dúvidas existiam quanto à capacidade de Johnny Hedlund & C.ª elas ficaram completamente dissipadas nos primeiros acordes de “To Asgaard We Fly”. Foi um daqueles concertos que marcam, com o público a corresponder em pleno ao que se passava no palco com temas como “The Longships Are Coming”, “The Immortals”, “Into Glory Ride”, “You are the Warrior!” ou “Death Metal Victory”. Um concerto que fica para a história do SWR sem dúvida.

Para terminar a noite, apesar de ter havido after party surpresa depois, estiveram os brasileiros Test, um duo que trouxe um grind experimental ao Abyss Stage.

E assim terminaria mais uma romaria a Barroselas, confirmando que o SWR é sem dúvida uma experiência única no panorama dos festivais em Portugal.

Carlos Guimarães