Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Rafael Correia.
Um Metaleiro Também Chora Fest
Erzsébet + Attick Demons + Ethereal + Infraktor + Yaatana + Inhuman Architects + Lost Slipper
Roda Moinas (Carqueijo – Mealhada), 05.07.2025
Numa tarde soalheira de verão, o acolhedor espaço do Roída Moinas, em Carqueijo, voltou a abrir as portas ao Um Metaleiro Também Chora Fest, um evento que, ano após ano, tem vindo a afirmar-se como uma verdadeira pérola no circuito dos festivais nacionais de heavy metal. Muito para além da música, é o ambiente familiar, o espírito de entreajuda e a comunhão entre gerações que fazem deste festival um ponto de paragem obrigatório para muitos amantes do género.
A primeira banda a subir ao palco às 18:00 foram os locais Lost Slipper e foi bem visível e audível a falta de traquejo destes jovens nestas andanças. Ainda sem uma sonoridade muito bem definida, o grupo ainda anda à procura de um pé para o seu sapato.
Lost Slipper
Por outro lado, apesar da sua juventude, os Yaatana já demonstram uma grande rodagem em palco a promoverem o seu EP “Anti-Control”. Já com alguns fãs fieis entre o público, a banda portuguesa debitou malhas de thrash intenso como “NT Control”, “Arma Nuclear” ou “Instituição do Ódio”, não faltando também a muito bem conseguida versão da “Inner Self” dos Sepultura. Sem dúvida um colectivo a seguir (ou a continuar a seguir) nos próximos tempos.
Yaatana
Apesar de só terem editado um álbum em 2018 (“Exhaust”), os Infraktor já têm um certo grau de reconhecimento na cena thrash nacional. Enquanto não é editado um novo trabalho, a banda vai desenferrujando com algumas atuações ao vivo. Eles iniciaram logo com duas das suas malhas mais fortes, “Blood of the Weak” e “Son of a Butcher”. Para além de temas do “Exhaust” eles desvendaram também o que vem por aí com músicas como as assinaladas no setlist “Burning”, “Attractive” ou “Marked”. Este novo material aguçou o apetite para o que aí vem por parte dos Infraktor.
Infraktor
Os Ethereal raramente desiludem ao vivo e neste festival conseguiram com certeza conquistar quem ainda não os conhecia. Os sadinos aproveitaram para promover o brilhante “Downfall”, baseando o seu estranhamente curto set em temas desse trabalho como “Our Dying Hope”, “The Allure of Daryah”, “Turmoil”, “The Last Peaceful Journey” e “Betrayal”. A única excepção foi a penúltima música “Darkest Room”, retirado do álbum anterior “Towers of Isolation” de 2006, um tema que sem dúvida envelheceu muito bem. Com 8 membros em palco, o destaque vai para os dotes vocais do casal Hugo Soares e Cristina, bem como para a presença em palco do guitarrista Carlos Monteiro. Esta é sem dúvida uma daquelas bandas que realmente vale a pena ver ao vivo.
Ethereal
Desde que lançaram o “Daytime Stories… Nightmare Tales” em 2020 que os Attick Demons não têm parado de o promover ao vivo, já perdendo a conta às vezes que os vi nesta fase da carreira. Deram um bom concerto de heavy metal mas honestamente esteve um pouco longe do melhor que já vi desta banda. O alinhamento iniciou-se com “Contract” e “Make Your Choice” do último disco mas houve tempo para as incontornáveis “Let’s Raise Hell” e para uma dose reforçada de 3 temas do “Atlantis” de 2011: “City of the Golden Gates”, “Flame of Eternal Knowledge” e o tema título. Os momentos altos foram “O Condestável” e a versão de “Wrathchild” dos Iron Maiden, esta dedicada ao malogrado Paul Di’Anno.
Attick Demons
Quem já viu os catalães Erzsébet ao vivo sabe que verá um verdadeiro espetáculo cheio de teatralidade e muita entrega em palco. A vocalista Erzsébet é sem dúvida uma das melhores frontwoman que já tive a oportunidade de ver ao vivo, com uma energia incrível. É impressionante a forma como ela se entrega à personagem que apresenta em palco, alternando-a conforme o vestuário que enverga, seja ele um vestido de cerimónia negro ou uma camisa de dormir branca. Realmente impressionante! No seu alinhamento tocaram quase todos os seus temas: do mais recente álbum “Six Hundred and Fifty” até ao anterior EP “The Blasphemous Lady”. Com influências musicais de bandas como Cradle of Filth, o black metal sinfónico interpretado por estes espanhóis faz-me questionar o porquê de não terem já uma projeção nacional no seu País maior.
Erzsébet
Como já aconteceu no passado, a maquinaria utilizada pelos Inhuman Architects trouxe inicialmente alguns percalços na fase inicial da atuação da banda, tendo o grupo que repetir o primeiro tema. Com uma alteração de baterista de última hora, os Inhuman Architects mostraram o seu deathcore ao público da Roda Moinas, sendo o ponto alto a presença de membros dos Vomitous Iniquity em palco como convidados.














































































































































































