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Fotos: Rui Podence.
Texto: Carlos Guimarães.

Z! Live Rock Fest
Dream Theater + Meshuggah + Exodus + Nile + Rotting Christ + Kissin’ Dynamite + Vola + Vita Imana + After Lapse
IFEZA (Zamora), 12.06.2025

De 12 a 14 de junho, o recinto da IFEZA em Zamora recebeu a décima edição do Z! Live, um festival que tem crescido de ano para ano em termos de qualidade de cartaz e afluência de público. Já com muitos portugueses presentes, ou não fique localizado a pouco mais de 50 Km de Miranda do Douro e 100 Km de Bragança, este evento prima pelo ambiente familiar e pela sua excelente organização em todos os sentidos. No universo de Espanha, o Z! Live ainda é um festival de médio porte mas em Portugal estaria no topo em termos de afluência de público e qualidade do cartaz.Os palcos Silver e Copper, com a mesma dimensão, estavam como nos anos anteriores lado a lado, facilitando a passagem do público de um concerto para o outro. A zona de restauração estava estrategicamente colocada atrás das mesas de mistura, não impedindo assim o público de apreciar o concerto à distância enquanto tomava uma refeição.

Como referi, o que mais sobressai aqui é sem dúvida o ambiente familiar, com muitas famílias a trazerem os filhos, e, a avaliar pelas faixas etárias, uma grande percentagem de homens e mulheres que já devem acompanhar o heavy metal desde os anos oitenta. Para além da “boa onda” do festival foi possível rever bandas icónicas como Dream Theater, Accept, Exodus ou Sepultura, ou, como meu caso pessoal, ver pela primeira vez a Lita Ford.

O dia 12 iniciou-se às 16:00 com os After Lapse, uma banda de Madrid que apresentou perante ainda um escasso público temas dos seus álbuns “Face the Storm” e “Pathways”. A banda toca um metal progressivo com algumas influências da banda cabeça de cartaz deste dia, os Dream Theater, e apresentaram em palco Erik Rayne como novo vocalista.

Os Vola são um dos cabeças de cartaz do Comendatio e aqui no Z! Live abriram o palco Copper às 17:10. Mantendo a toada mais progressiva do dia, os dinamarqueses alargaram este espetro musical a influências eletrónicas e de djent,o que levou a alguns narizes torcidos pela parte mais velha guarda da plateia. Para os mais recetivos deram uma boa demonstração de qualidade musical, abrindo o concerto com “We Will Not Disband” do seu mais recente álbum “Friend of a Phantom” que seria ainda revisitado mais três vezes, uma delas o aclamado “Cannibal” cuja versão de estúdio contou com a colaboração de Anders Fridén dos In Flames.

Os Kissin’ Dynamite foram uma das bandas que estiveram na edição de 2024 do Milagre Metaleiro e, tal como em Pindelo, deram em Zamora uma excelente demonstração de como fazer hard rock melódico de qualidade que apela às massas. Os germânicos já têm uma rodagem considerável e conseguem facilmente cativar o público com malhas como “Back with a Bang”, “DNA”, “I’ve Got the Fire” ou “My Monster”. Mesmo quando acalmam, como em “You’re Not Alone”, mantêm o controlo completo sobre o que se passa à sua frente na plateia. Sem dúvida um dos grandes concertos do primeiro dia.

A primeira demonstração de peso do dia esteve a cargo dos Nile com o seu death metal brutal e técnico. A banda norte-americana esteve pela Europa em junho para tocar em vários festivais. Notou-se no entanto um aparente cansaço da banda em palco. Não que tivessem dado um mau concerto, mas tendo em conta o que já vimos de Karl Sanders & C.ª esperavamos um pouco mais. Curiosa continua a ser a divisão de vocais entre os guitarristas e baixista da banda. Do alinhamento constaram malhas como “Stelae of Vultures”, “Sacrifice Unto Sebek”, “Defiling the Gates of Ishtar”, “Kafir!”, “In the Name of Amun” ou, para terminar, “Black Seeds of Vengeance”.

Os Exodus foram um dos destaques dos três dias do festival. São uma banda que, independentemente do vocalista, nunca desilude ao vivo. Com Rob Dukes de regresso ao microfone, o grupo de São Francisco foi responsável pelos primeiros momentos de verdadeira euforia na IFEZA, abrindo logo com “Bonded By Blood”. Apesar de por vezes o som soar um pouco embrulhado, nem isso esmoreceu o público que ainda levou com temas como “Braindead” ou “Fabulous Disaster”. Sempre sorridentes e empenhados, os Exodus deixaram o melhor para o fim com a “Lesson in Violence, “Piranha” e “The Toxic Waltz” (que teve um “cheirinho” da “Raining Blood” no início). Neste tema o público espanhol reagiu em conformidade na frente do palco e assim continuaria com a “Strike of the Beast” e a já tradicional Wall of Death.

Pelo recinto viamos muitas t-shirts de Dream Theater e, numa faixa etária mais nova, de Meshuggah. As influências Djent da banda sueca apelam sem dúvida a outro tipo de público e com certeza que os seus fãs não se sentiram defraudados. Num cenário muito bem conseguido e com lasers a complementar o que ouvíamos, os Meshuggah deram um verdadeiro espetáculo. Um pouco parados é verdade, mas a música deles é mesmo para curtir a fazer um headbanging polirrítmico. Abriram com “Broken Cog”, “Violent Sleep of Reason” e “Rational Gaze”, hipnotizando desde logo o público com os seus ritmos desafiadores. A complexidade e profundidade musical manteve-se em malhas como “God He Sees in Mirrors” e “Swarm”, mas os momentos altos foram as finais e aguardadas “Bleed” e “Demiurge”.

O primeiro dia foi o que teve mais afluência no Z Live muito por culpa dos Dream Theater. Sendo este o único festival em que a banda tocaria em Espanha em 2025, os seus fãs marcaram presença na IFEZA. Durante uma hora e quarenta minutos pudemos deliciarmo-nos com a destreza e qualidade técnica dos instrumentistas da banda e com clássicos como “Strange Déjà Vu” ou “Under a Glass Moon”.

Ver e ouvir ao vivo músicos como John Petrucci e Jordan Rudess, com o suporte da musicalidade rítmica de Mike Portnoy e John Myung continua a ser um privilégio. O problema é… Sim, James LaBrie. Chegava a ser por vezes penoso ouvir LaBrie a assassinar vocalmente alguns temas e, com o decorrer do concerto a tendência não foi melhorar. Pelo meio os norte-americanos tocaram temas como “The Enemy Inside”, “Rite of Passage” e a calma “Peruvian Skies” que contou com apontamentos de “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Wherever I May Roam”(Metallica).

O momento final foi com “Pull Me Under” que sinceramente custou um pouco a ouvir em certas partes (sim, já imaginam quais foram)… Foi sem dúvida uma excelente noite dos instrumentistas e infelizmente uma noite não muito bem conseguida do vocalista…

Os Rotting Christ continuam a celebrar os seus 35 anos de carreira e fizeram-no também em Zamora. Liderados pelo imponente Sakis, os gregos iniciaram a sua atuação com “Fire, God and Fear”. Com uma carreira tão longa e bem apetrechada em termos de temas, seria difícil agradar a todos os fãs mas não faltaram no alinhamento “Kata Ton Daimona Eaytoy”, Like Father, Like Son” ou as sempre aclamadas “Non Serviam” e “Grandis Spiritus Diavolos”, terminando já perto das duas da manhã. E, como o cansaço já era muito depois da viagem e de um dia comprido de concertos, não nos foi possível ficar para acompanhar o groove metal dos madrileños Vita Imana.