Para mim, Carlos Maldito, é uma mente criativa única. Digo isto pelo acompanhamento que tenho da sua carreira com MERCIC e, naturalmente, pelo trabalho demonstrado nos seus, por vezes, incompreendidos lançamentos musicais.
É inegável a sua capacidade em criar atmosferas únicas e envolventes, e nas mesmas muitas das vezes incorporar sonoridades ou até instrumentos fora daquilo que é a estrutura musical de heavy mais industrial. A cada faixa, somos sempre confrontados com uma nova faceta da sua música, que oscila entre a fúria industrial e a sonoridade por vezes mais gótica.
Assim, “Mercic 11”, o décimo primeiro disco, composto por dez temas, trata-se de um trabalho visceral e introspectivo, um grito de dor que ecoa profundamente. A jornada de três anos de composição, imersa na luta contra o cancro existente no seu seio familiar, resulta num álbum que transcende por vezes os limites do som industrial, mergulhando num oceano de emoções intensas e sonoridades como sempre muito experimentais, transformando-se numa catarse sonora, um turbilhão de sentimentos que nos arrasta para um universo obscuro e melancólico, com letras, viscerais que exploram temas como a mortalidade, a perda e a busca por um significado, estabelecendo uma conexão profunda com o ouvinte.
As colaborações de Carlos Bixo, Sérgio Afonso e Carlos Prezado são uma mais valia, bem enquadrada na paleta sonora de “Mercic 11”, mas no entanto, há na minha opinião, um ponto a referir que para mim mexe com o resultado final do disco: a inegável falta de peso comparativamente com aquilo que é a energia que caracteriza as performances ao vivo de MERCIC e que na realidade a sonoridade pede para ser ouvido. Mais umas guitarras pesadas, dariam outro corpo…mas por outro lado…produção? Opção?
Por exemplo, “Beat This Thing”, o single escolhido para apresentar o álbum, com a sua mensagem tão pesada, merecia um tratamento de igual modo pesado, um som que reverberasse a raiva e a frustração, pois é essa a mensagem da mesma.
Mas, em “Mercic 11”, não é a minha opinião que irá tirar os méritos ao trabalho apresentado uma vez que merece uma dedicada e atenta audição, e acreditem que se o fizerem se tornará numa jornada muito interessante para aqueles que se deixarem levar pela sua energia.
Miguel Correia
Nota da Review: 7,5
Nota da Equipa: 7,2









