Necrotic Vortex – “Obliteration Ritual”
Data: Junho de 2025
Edição: Supergoat Wreck-Whordes / Studios13
Formato: Álbum
Com o lançamento de “Obliteration Ritual”, os Necrotic Vortex emergem do submundo metálico nacional com uma proposta tão crua quanto implacável. Este não é um disco feito para agradar aos ouvidos polidos — é uma convocatória à decadência, um ritual sonoro onde cada riff, cada grunhido e cada batida ecoam a podridão inevitável da existência.
Composto, gravado, produzido, misturado e masterizado integralmente por Melkor no seu estúdio pessoal — com exceção dos solos brutais de Jorge Matos — “Obliteration Ritual” é um testemunho da dedicação absoluta a uma visão artística sem compromissos. É death metal da velha escola no seu estado mais primitivo: sujo, sombrio, carregado de fúria e ausência total de brilho moderno. Há aqui um compromisso visceral com a essência do género — não se trata de técnica, mas de tensão, atmosfera e impacto emocional.
A sonoridade remete diretamente para as fundações do black/death metal mais profano, invocando nomes como Blasphemy, Beherit ou Von, com aquela aura ritualística e bestial que é tão rara quanto preciosa nos dias de hoje. Há uma violência caótica nas composições, um descontrolo calculado que transborda loucura e niilismo. No entanto, dentro dessa tempestade, surgem momentos de pausa — interlúdios mais lentos, texturas densas, quase sufocantes — que só intensificam o impacto da brutalidade quando esta regressa. É um álbum que respira, mas só para voltar a rasgar os pulmões com mais força.
A atmosfera é uma das grandes forças, utilizando efeitos e técnicas vocais pouco ortodoxas, Melkor constrói um ambiente onde a realidade é corroída por um senso de desespero e transcendência obscura. A voz soa como vinda de um abismo antigo, impregnada de podridão e tormento. As letras, todas escritas pelo próprio, não se limitam ao choque gratuito — exploram temas de necrose espiritual, danação e colapso existencial, com uma densidade lírica que se alinha perfeitamente ao peso instrumental. São reflexões duras sobre a condição humana, escritas com a intenção de provocar desconforto, introspeção e, acima de tudo, confronto.
“Obliteration Ritual” é, no fundo, um espelho invertido da existência. Um lembrete de que o fim é certo, de que a esperança é uma ilusão confortável. E é precisamente nesse confronto com o inevitável que reside a força do álbum. Não há salvação — só som, caos e decadência.
Melkor não é apenas o mentor de Necrotic Vortex — é o seu exorcista. E com este álbum, entrega-nos uma das propostas mais sérias e visceralmente honestas do death metal português contemporâneo. Não é para todos. Mas para quem ousa entrar neste vórtice, a experiência é inesquecível!
Miguel Correia
Nota da Review: 7
Nota da Equipa: 7,4









