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Living Tales – “Hades”

Data: Abril 2025
Edição: Autor
Formato: Álbum

Há aproximadamente vinte anos atrás, um quarteto tomou a acertada decisão de criar uma ponte entre o rock e o heavy metal na cidade do Porto. Como algumas bandas nos seus primórdios de carreira realizaram, apostaram em (extensas) pequenas covers de grupos de renome, desde os Dream Theater e Nightwish, no sentido de criar algum repertório e a sua legião de fãs.

Atualmente, os Living Tales contam com uma sólida produção de quatro discos que combinam uma miscelânea de elementos sinfónicos, progressivos e até mesmo de pendor clássico. Sem qualquer receio e preconceito, em abril de 2025 trouxeram ao mundo o seu último e mais recente projeto – Hades. Um disco que inevitavelmente nos remete para uns suecos Evergrey com uma pitada dos italianos Lacuna Coil – devido à presença da voz feminina de Ana Isola – e que nos transporta, uma vez mais, para a esfera mitológica greco-romana. Se “Persephone”, lançado em 2024, engloba os elementos acima mencionados, “Hades”, por si só, comporta um disco antagónico com uma banda que visou apostar em elementos mais obscuros e pesados, atuando como uma espécie de tributo aos mortos no repertório musical dos Living Tales e inclusive alguns elementos introdutórios de raiz oriental, como se verifica na faixa “Persephone”.

Após uma abertura homérica, o tema “Rising” vem revelar o potencial do disco com elementos sinfónicos e progressivos – quasi Nightwish – munidos também de um power metal onde a guitarra de Luís Oliveira e a bateria de Ricardo Carvalho, a par com a voz de Isola destacam-se na perfeição. A faixa homónima do álbum (e também com um vídeo) apresenta-nos uma cadência um pouco mais lenta no registo do grupo, sobretudo em comparação com “Rising” e “The Crusade”, cujo baixo de João Carneiro é pertinente e não passa despercebido na composição musical. Indubitavelmente uma autêntica alegoria a Tártaro e ao deus grego do submundo. Longe de ser uma tragédia grega, bem pelo contrário, o disco encontra-se dividido em três partes que fazem referência à Força (Ischyros); ao Respeito (Aidos); e à Novidade/ Mudança (Kainos). A voz de Ana é tanto aguda como sussurrante e que assenta que nem uma luva nesta nova produção. Estaremos perante uma nova fase de mudança musical dos Living Tales? Se sim, é, sem dúvida, bem-vinda.

André Neves

Nota da Review: 8
Nota da Equipa: 8,4