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Gargul – “Gallows”

 

Data: Julho/2024

Edição: Autor

Formato: EP digital

Ao longo do presente ano de 2024 fomos brindados com alguns interessantes lançamentos de black metal nacional. Os portuenses Gaerea, através da Season of Mist, editaram o seu recente disco “Coma” (2024) e que cristaliza uma sonoridade mais moderna; atualmente nos Estados Unidos da América, os Sardonic Witchery lançaram “Barbaric Evil Power” (2024) com uma primordial receita musical que vem homenagear as raízes lusitanas do seu mentor; os Candelabrum com “Transmutations” (2024) que celebra uma metamorfose entre o passado e o presente com um registo musical imperfeito em lo-fi, que rapidamente nos transporta para uma Noruega dos Darkthrone, Emperor ou Mayhem. A adicionar a este obscuro repertório, os conimbricenses Gargul estrearam-se em Julho de 2024 com o seu primeiro EP “Gallows”.

Com apenas cinco faixas, o multi-instrumentalista Gargul troca um registo musical em lo-fi que tanto conhecemos no black metal, em prol de uma sonoridade que combina com death metal, um pouco de thrash e até mesmo uma breve pitada de sinfónico. A primeira faixa homónima do disco “Gallows” inicia com acutilantes blast-beats de bateria que soam aos Behemoth na era de Demigod (2004) e The Apostasy (2007), enquanto “Resignation” comporta uma cadência mais lenta e que facilmente poderia fazer parte de um live show dos Mayhem, logo após a “Freezing Moon” devido aos seus sombrios e complexos riffs de guitarra. A terceira faixa “Doomed”, meramente instrumental, permite-nos viajar para uma planície desoladora e contemplar a paisagem natural que nos rodeia, numa experiência completamente imersiva. “Hole” é o prenúncio da última música, dedicada ao poeta português, Fernando Pessoa. “Why Do I Desire”, uma ode ao escritor do Livro do Desassossego, consiste numa reflexão humana do mesmo acerca da solidão, do existencialismo social e outras temáticas que tanto assombravam Pessoa. Temas que inevitavelmente gravitam em torno do heavy metal, particularmente do black metal.

Como convidado especial, Chris Bones (A Billion Limbs e Apostisy) dá voz aos Gargul ao longo deste fantástico EP. Para colmatar a experiência musical, o design da capa foi inspirado no músico parisiense Pierre Luc Charles Cicéri, responsável pela Ópera de Paris nos inícios do século XIX. A paisagem da capa, de certa forma alusiva a qualquer território negro e das forças do mal encontradas numa obra de Tolkien, refere-se a uma peça clássica de ópera que estreou em 1833, na capital francesa. Embora com apenas um EP, não temos dúvidas que os Gargul prometem e que futuramente estarão a subir a palcos nacionais. Gallows (2024) não é simplesmente um fenomenal EP; chega mesmo a consolidar a essência daquele black metal que tanto conhecemos dos anos 90 e vem permitir a abertura de portas por parte da banda a futuras produções com outros sub-estilos do metal.

André Neves

Nota da Review: 8,5
Nota da Equipa: 7,9

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