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Ethereal – “Downfall”

 

Data: Novembro/2024

Edição: Autor

Formato: Álbum

Ao fim de 18 anos os Ethereal estão de regresso às edições discográficas. “The Dreams of Yearning” (2003) e “Towers of Isolation” (2006) marcaram a cena nacional no início do milénio mas infelizmente em 2008 os setubalenses decidiram encerrar as suas atividades. Os seus membros enveredaram por outros projetos como Before the Rain, Sculpture ou Iberia e em 2021, embora por um triste motivo, decidiram voltar a juntar-se para um concerto de homenagem a um amigo da banda, o Frick do Painho. Felizmente os concertos sucederam-se e o agora octeto entrou nos WRecords Studios com Wilson Silva para gravarem um novo álbum. O resultado é este “Downfall”, sem dúvida um dos mais sérios candidatos a disco do ano em Portugal.

A abrir temos “Betrayal”, um tema majestoso que é o epítome da perfeição, com os seus diversos momentos a prenderem-nos ao longo da sua duração, onde a voz da Cristina Lopes se destaca. “The Allure of Daryah” inicia-se de uma forma menos direta mas ao fim de pouco tempo transforma-se em mais uma pérola deste disco com partes que nos remontam para uns Paradise Lost dos seus tempos áureos. Esta sensação mantém-se na seguinte “The Last Peaceful Journey”, principalmente nas partes mais “growl” do Hugo Soares. Neste disco o Hugo prova que para além de ser uma das vozes “limpas” de referência do heavy luso, consegue também ter um registo mais agressivo. Este tema está sempre com a força no máximo, mesmo nas partes cantadas pela Cristina. “Turmoil” mostra a faceta mais doom britânico que a banda sempre teve, com a pujança do refrão cantada em dueto a destacar-se na restante bela quietude. A partir de meio deste “Turmoil”, este cresce de forma sumptuosa. “Our Dying Hope” começa de uma forma positivamente inquietante transformando-se em mais uma bela malha de heavy metal, numa linha mais clássica. “The Hour of Infinity” tem no seu refrão uma das mais bem conseguidas linhas melódicas vocais que já ouvi e finalmente temos “Downfall”. Iniciado com teclas, surge a voz da Cristina, angélica e com personalidade, complementada depois com a do Hugo. Este é um daqueles temas que fazem arrepiar até os espíritos mais agrestes e que depois desagua em mais alguns dos fantásticos solos presentes neste álbum.

A grande qualidade deste disco é ter ingredientes para agradar a fãs de diversos géneros musicais: desde o heavy metal mais clássico até ao doom metal, passando pelo progressivo, gótico e metal sinfónico.

Carlos Guimarães

Nota da Review: 9
Nota da Equipa: 8,8