Lord Sin é uma dupla misteriosa e em grande parte anónima. Formados em 2020, não perderam tempo a lançar o seu álbum de estreia, “Portrait of the Devil”, em outubro desse mesmo ano. Esse trabalho apresentou uma mistura sombria de decadência fúnebre, vocais ásperos e arranjos musicais hipnóticos, centrada principalmente na faixa épica de três partes “Cathedral of Dead Saints”, um conjunto de músicas que combina perfeitamente com a estética do grupo — vestes negras envolventes e sem rosto.
Embora esse álbum tenha sido impressionante por si só, algo que realmente destaca os Lord Sin é a base improvisada das suas composições, gravadas ao vivo. Esta abordagem foi mantida e explorada no novo trabalho, “Confessions”, lançado a 13 de dezembro de 2024 pela Larvae Records. Após a gravação das guitarras e bateria completamente ao vivo, a dupla adicionou posteriormente o baixo, solos, voz e outros instrumentos para transformar o esqueleto podre e moribundo das músicas em algo mais desenvolvido e plenamente formado.
Os Lord Sin não procuram velocidade nem técnica excessiva, mas sim intensidade e melancolia. Riffs arrastados criam um ambiente imersivo que transporta o ouvinte para uma realidade de tristeza profunda e apatia.
O álbum não é apenas um exercício de peso e intensidade; oferece também momentos de psicadelismo. Há várias passagens que mergulham em territórios mais experimentais, com distorções e efeitos que conferem uma camada de surrealismo — uma sensação de pesadelo perpétuo.
Sejamos realistas: há muito pouco aqui que soe a improvisação. Apesar de a faixa mais curta do álbum, “Presence”, durar pouco menos de sete minutos, tudo parece bem pensado e estruturado.
“Confessions” abre com o tema apropriadamente intitulado “Spectres”. Inicialmente, a música soa esparsa, com os primeiros compassos a apresentarem apenas uma guitarra distorcida e vibrante acompanhada por um padrão de bateria simples, mas pujante. À medida que avança, desdobra-se num épico doom funeral denso e negro. Leads sombrios e vocais ásperos juntam-se à mistura, evocando os grandes nomes do género.
Segue-se “Presence”, que introduz teclados à dança fúnebre, movendo-se lentamente por pântanos imundos de podridão, adensando ainda mais as camadas de melancolia sobre a base pesada que a banda estabelece continuamente.
A melancolia está presente em cada acorde de “Confessions”, uma obra que se agiganta lentamente ao ritmo de cada malha, devendo ser consumida na sua totalidade. Apesar das músicas destacadas anteriormente, o álbum é, no seu todo, uma viagem depressiva de tonalidades cinzentas e neblina densa.
A produção deste trabalho distingue-se pela abordagem crua e densa, criando uma autêntica parede de som que contribui para a elevada qualidade do resultado final, refletindo a essência improvisada da banda.
As gravações iniciais de guitarra e bateria foram capturadas ao vivo nos Rock’n’Raw Studios, em Alfornelos, em março de 2021, sob a engenharia de som de Bruno Jorge. Posteriormente, em setembro de 2022, Ricardo “Towkuhsh” Rodrigues, nos ERRE Estúdios, foi responsável pela mistura e masterização, adicionando camadas de baixo, guitarra, voz e teclados para enriquecer a sonoridade final.
Os Lord Sin destacam-se por compor de forma emocional, criando riffs e linhas melódicas simples, mas profundamente tocantes, evitando fórmulas predefinidas ou tentativas de se enquadrar em rótulos estilísticos.
“Confessions” é um álbum de grande qualidade que merece ser descoberto e apreciado, ideal para as longas noites frias de inverno. Os fãs do clássico funeral doom vão encontrar aqui muito para apreciar. Não esperem nada radicalmente novo, mas sim algo muito bem executado, sem margem para dúvidas.
Se és fã de música nostálgica, pesada e melódica, “Confessions” é uma obra obrigatória. Uma revisitação ao passado com um olhar para o futuro, onde a música continua a ser uma linguagem genuína e desprovida de artifícios — como sempre deveria ser.
LordSir SetePeles
Nota da Review: 8
Nota da Equipa: 7,7









