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Grog – “Sphere of Atrocities”

Data: Junho/2025

Edição: Hellprod Records

Formato: Álbum

Veteranos do brutal death/Grind metal português, os Grog regressam em 2025 com “Sphere of Atrocities”, um disco que confirma o status da banda como um dos pilares do metal extremo em Portugal e que não tem medo de explorar novas texturas dentro do caos sonoro.

Trinta e quatro anos depois de terem espalhado vísceras pelo underground com o clássico “Macabre Requiems” (1996), os veteranos voltam à carga e mostram que o Death/Grind pode e deve cheirar a carne putrefata. “Sphere of Atrocities” não é apenas o melhor disco de estúdio dos Grog desde então, é um tanque armado com lâminas de debulhar gente que avança sem dó nem piedade, deixando a paisagem coberta de massa encefálica e ossos esmagados.

Grog sempre manteve a sua identidade firme, brutalidade e técnica afiada, uma sonoridade que passeia entre o death metal mais clássico e nuances mais brutais, grind e até técnicas. Em “Sphere of Atrocities”, essa fórmula é elevada a um novo patamar, graças a uma produção densa e clara que permite que cada instrumento brilhe, seja a bateria desenfreada e diabólica, os riffs cortantes ou os vocais guturais e cavernosos, com um baixo pulsante sempre a marcar o ritmo e a encher o som com aquela parede densa e contundente que se deseja destas sonoridades.

Torna-se uma tarefa inglória destacar faixas no meio deste colossal trabalho, ainda assim destaco como preferidas deste escriba, faixas como o single de apresentação “Pineal Turmoil” “NecroEarth” e “Phantom Annihilation” que demonstram que a banda não apenas mantém a atitude intacta, como a refina com composições bem estruturadas e mudanças de andamento inteligentes, que dão ao álbum dinâmica, não permitindo desta forma que o mesmo se esgote às primeiras audições. Momentos como “Cosmic Placenta” revela uma abordagem verdadeiramente devastadora ao que de melhor já foi feito no espectro do Death/Grind da velha escola.

A performance de Pedro Pedra nos vocais é completamente avassaladora um dos maiores trunfos do grupo: guturais precisos, com articulação e dinâmica, a bateria de Rolando Barros é uma aula de precisão e velocidade, enquanto os riffs de Alexandre Ribeiro sustentam a brutalidade com peso e inventividade.

“Sphere of Atrocities” é, ao mesmo tempo, um disco visceral e cerebral. Há sangue, há fúria, mas também há intenção, composição e cuidado. Um álbum que não tenta reinventar o death/grind metal, mas o apresenta com a maturidade de quem o vive a décadas e o faz com integridade.

Gravado no Undergrind Studios por Rolando Barros entre 2023 e 2024, o disco soa como se tivesse sido gravado no IML, impiedoso e meticulosamente limpo, mas impregnado do cheiro nauseabundo de carne em decomposição. Cada faixa é um bisturi, revelando camadas de um som tão preciso quanto perturbador. A produção é cirúrgica. Há uma frieza quase científica na forma como os elementos se encaixam, como um patologista diante de um corpo aberto.

A capa do álbum, criada por Vitor Costa, é um excelente exemplo de como a arte visual pode complementar e até potencializar a proposta sonora de uma banda. Ele tem um talento singular para traduzir temáticas densas e brutais em imagens carregadas de impacto, tudo colabora para criar uma experiência visual que prepara o ouvinte para o que está por vir no álbum.

“Sphere of Atrocities” é um rolo compressor em 32 minutos, é entrar com a cabeça no moinho, sair sem cabeça e ainda agradecer.

LordSir SetePeles

Nota da Review: 8,5
Nota da Equipa: 8,1

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