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My Alley – “Women of Chevalier De Pas”

Data: Novembro/2024
Edição: Autor
Formato: Álbum

Podia começar esta review com algo cliché como “a espera valeu cada segundo”, mas, na realidade, eu desconhecia por completo este projeto ao qual fiquei completamente rendido. E, acreditem, foi muito fácil!

Dez anos após a sua última incursão, o projeto My Alley regressa com um trabalho que redefine os limites do Heavy Rock Moderno e presta homenagem às suas raízes no Power Metal. “Women of Chevalier De Pas” não é apenas um álbum é uma obra-prima conceitual que combina som, literatura e emoção de forma sublime.

Inspirado nas figuras femininas da vida de Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas de sempre, misturando eventos reais com fantasia, o disco conecta-se com a personagem principal do álbum “Hope”, criando um elo emocional com ouvintes antigos e novos, trazendo de volta à vida a família, os heterónimos, os sentimentos e a personalidade (ou múltiplas personalidades) deste incrível poeta, sendo impossível ignorar a complexidade e a sofisticação lírica que André Prista, responsável por toda a criação e produção, trouxe a este trabalho.

Assim, o álbum leva-nos numa viagem multifacetada, entrelaçando eventos reais com elementos fantásticos. Ao longo do mesmo somos convidados a explorar as profundezas do universo de Pessoa e descobrir as personalidades, emoções e heterónimos que marcaram o legado do poeta suportados por uma musicalidade cheia de contraste e inovações.

A diversidade cultural e estilística é palpável, com músicos de vários quadrantes do nosso underground, e não só, a contribuírem para uma experiência sonora global e intimamente emocional.

Temas como “Mystery Girl”, que conta com um elenco diversificado de convidados como Raquel Subtil, Inês Rebelo, Paula Teles, Sofia Veiga, Bruno Ladislau, D-Maniac, Isaac Pimenta e que se destaca pela sua riqueza instrumental e harmonia vocal. “Rilhafoles”, com participações notáveis de Rute Fevereiro, Sara Leitão, Bruno Ladislau, Henning Basse, Nozomu Wakai e Tó Pica e que é um verdadeiro hino ao Power Metal, repleto de solos “enormes” e camadas sonoras brilhantes.

Cada música traz algo único, desde os riffs melódicos de “Ghostwriting” com Eduarda Soeiro, Fábio Caldeira, Jens Ludwig e Ralf Scheepers , até à beleza etérea de “Ofélia” com Bella Tê…sinto que parece muito injusto destacar estes temas por entre um punhado de outros tão fortes, mas, deixo o resto da descoberta desta obra prima de André Prista a vosso cargo e garanto que não se vão arrepender.

“Women of Chevalier De Pas” transcende a música. É uma reflexão sobre a mortalidade, a identidade e a beleza da poesia, envolvida numa narrativa cativante, transformando-se num testemunho do poder transformador da arte quando diferentes disciplinas se unem.

Miguel Correia

Nota da Review: 8,5
Nota da Equipa: 8,3