No final da década de 2010 os Sinistro eram uma das pérolas do metal nacional, com projeção internacional e digressões com bandas como Paradise Lost, Cult Of Luna, Mono ou Alcest. Discos como “Semente” e “Sangue Cássia” cimentaram o estatuto da banda, com uma sonoridade muito própria, alicerçada no doom, sludge e post metal. O principal fator diferenciador era a voz de Patrícia Andrade, única e teatral. Por isso quando em 2019 ela decidiu abandonar a banda muitos duvidariam da capacidade da banda em encontrar substituto/a à altura.
Cinco anos volvidos, os Sinistro regressam com a luso-luxemburguesa Priscila Da Costa na voz, e que voz! Há momentos dela no disco que realmente mexem no mais profundo âmago, com uma sublimidade e força realmente assombrosas. O grupo mantém a sua identidade no doom e post metal mas com a voz da Priscila ganha novas roupagens e ainda mais sentimento e acima de tudo, muita portugalidade.
Por isto e por muito mais é que os mais de dez minutos de “Amargura” passam muito rapidamente, pois somos embalados por riffs hipnotizantes e pela voz que nos agarra logo com impacto no verso inicial “Conta-me mentiras doces” e só nos larga com o sussurrante “O silêncio esfria”. “Elegia” tem um andamento mais calmo mas não menos inebriante, que se liberta num refrão arrebatador. “Pontas Soltas” soa a uma canção de embalar desesperada e claustrofóbica. Depois de “O Equivocado”, temos a “Perfeita Encenação” com uns arranjos de cordas que exponenciam ainda mais a negritude do tema. “Templo das Lágrimas” é o tema final e mantém a bitola do disco, com os minutos finais a dar-nos a banda sonora ideal para o sentimento prevalecente que temos quando se está a terminar de ouvir o disco: tristeza. Tristeza por não haver mais a seguir.
Carlos Guimarães
Nota da Review: 8.5
Nota da Equipa: 8,3









