O underground nacional ganha um novo e infernal disco, uma amálgama entre um death e black metal modernos que nos remete para um mundo mergulhado no caos e na destruição, governado pelos escalabitanos Congruity.
O seu percurso musical arrancou em 2000 e durante cinco anos lançaram três demos e um EP que culminou no seu renomado álbum “Congruity” (2018), com o selo discográfico da BoneSaw Entertainment. Após esta excelsa produção, colocaram mãos à obra durante a pandemia no lançamento do EP “Shattered” (2020) e do split “Two Paths of Extreme Greatness” (2020), sendo este último em conjunto com os Hate Disposal. Uma autêntica aliança destrutiva e munida de uma técnica digna de um death metal da velha guarda com certas nuances modernas.
Contudo, o trio composto por Hugo Bezuga (bateria), Victor Sapage (voz e baixo) e Jorge André (guitarra) não se ficou por aqui. Sob a alçada da mesma editora, brindaram-nos recentemente com o novo EP denominado por “Inferno” (2024). Tal produção vem corroborar que se encontram solidificados e sem receio de arriscar com faixas totalmente agressivas e explosivas, como por exemplo “False Deceiver” preenchida com tons guturais de Sapage, enquanto “Under a Blood Moon Sky” apresenta-nos umas breves influências de doom metal de uns Novembers Doom ou Swallow the Sun (fase inicial), cujos vocais assentam perfeitamente no registo do grupo. Em “Sun Deprived” temos a participação de uma orquestração, no quais os vocais navegam entre o gutural e o agudo, o que nos permite apreciar a heterogeneidade deste novo trabalho lançado a 15 de Novembro de 2024.
Atualmente, com a rápida inovação e criatividade da própria indústria, começam a surgir bandas com discos na mão que realizam menções honrosas à cultura portuguesa. Assim como os Gargul, os Congruity decidiram introduzir a faixa homónima ao disco, “Inferno”, que é, indubitavelmente, uma adaptação de um poema de Fernando Pessoa: O Inferno de ser Eu. Ao longo destes 26 minutos de death metal alternado com alguns elementos naturais desde o fogo, água e até mesmo o grito de pessoas, afigura-se a notável essência da banda em conseguir transformar e combinar um dos mais brutais e agressivos estilos
do heavy metal com diferentes temáticas, desde partes mais melódicas, conceitos atmosféricos e outros sub-géneros. Tal proeza é visível na última e instrumental faixa “Only Ashes Remains”.
O artwork faz jus ao EP, uma eventual alusão ao desterro de Lúcifer do Paraíso, em que na capa o anjo encontra-se a ser imolado pelas chamas infernais e retratado numa figura humanizada e em sofrimento. Em suma, os Congruity conseguiram destacar-se pela sua inovação e modernização com um death metal da velha guarda que incorpora novos e diversos elementos, cristalizando assim um disco que facilmente colocamos a rodar numa preparação para um festival de verão ou durante uma longa viagem de carro pela noite adentro.
André Neves
Nota da Review: 8
Nota da Equipa: 7,3









