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Pestifer – “Ravaging Fury”

Data: Abril/2025

Edição: Larvae Records

Formato: Álbum

Há discos que se sentem como uma pancada no esterno, um punho bem cerrado no estômago ou uma descarga elétrica diretamente nos ossos. “Ravaging Fury”, o novo álbum dos Pestifer, é isso tudo e mais. Lançado a 5 de abril de 2025, o terceiro capítulo na discografia da banda do Porto é uma aula de extermínio sonoro onde a técnica, a blasfémia e o ódio convergem num vórtice de brutalidade absoluta.

Na primeira audição, é impossível não sentir o peso de nomes como Morbid Angel, Krisiun, Rebaelliun ou até Nile nas veias deste disco. Mas os Pestifer não vivem de sombra. Vivem no abismo, com identidade própria, numa missão de destruição artística em nome do death metal mais feroz e sem quaisquer filtros.

A produção é limpa mas não é estéril, e cada instrumento soa como uma lâmina afiada, cada batida da bateria é sentida como um martelo num crânio aberto. Há um certo requinte cirúrgico na forma como a banda constrói cada tema: riffs esmagadores, vocais que invocam forças arcanas, convergindo em dinâmicas que nos deixam sem fôlego. Em 36 minutos e pouco, “Ravaging Fury” não dá tréguas e nem procura dar.

Em 2017, os Pestifer já nos tinham dado um vislumbre da sua capacidade destrutiva com “Execration Diatribes”: um álbum cru, old school e herético. Ravaging Fury é outro monstro, mais rápido, mais denso e mais afiado. A atmosfera é mais negra, mais profana, mais violenta, e tudo soa mais deliberado, mais seguro, mais malicioso. Onde antes havia estruturas mais longas e riffs labirínticos, agora há uma urgência implacável quase todas as faixas se estendem não acima dos cinco minutos, num ataque concentrado e sem misericórdia. A produção é mais polida, mas bem hostil, conserva aquela sujidade mística que distingue o death metal verdadeiro do plástico digital. Ao longo do “Ravaging Fury”, destacam-se a “Blood Birds of Prey”, que abre com violência metódica e riffs que roem os tímpanos como ferrugem em carne viva; “Incumbent Blasphemies” e “Sedition and Glorious Arsonry” são hinos de destruição com precisão de sniper; “Christless Dawn”, uma música instrumental que oferece uma pausa ilusória, uma espécie uma travessia por desertos desolados antes do próximo cataclismo. É ambiente, é peso, é transcendência niilista.

“Ravaging Fury” é um salto em queda livre para o abismo. Um álbum feito com intenção, propósito e uma convicção inabalável na pureza do death metal. Brutal sem ser caótico, técnico sem ser exibicionista e atmosférico sem cair na moda. Muito provavelmente, um dos melhores lançamentos recentes de death metal extremo em Portugal.

Se o “Execration Diatribes” foi a fundação da catedral negra dos Pestifer, Ravaging Fury é o seu altar sacrificial. E nós, ouvintes, somos meros cordeiros.

Tânia de Barros

Nota da Review: 8,5
Nota da Equipa: 7,9